Futuro Da Internet
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Qual é o Futuro da Internet?

Veja abaixo algumas previsões:

Rede mais inteligente

Quer chamemos de rede semântica ou rede de dados interligados, os cientistas acreditam que agora estão construindo uma rede muito mais inteligente.
Ao colocar mais dados online e depois “ensinando” a rede a entendê-los e questioná-los de novas maneiras, eles esperam oferecer aos usuários um recurso muito mais inteligente.
“Pense na rede como um grande banco de dados descentralizado contendo de tudo, desde o horário de trens e lugares para comer a sites que informam onde encontrar a melhor oferta. O que a rede vai oferecer é um sistema de buscas muito mais refinado, será uma rede com ‘grãos mais finos’”, disse o pesquisador Nigel Shadbolt, da Universidade de Southampton.
A ideia é que quando alguém fizer uma busca como “próximo trem para Manchester”, em vez de aparecerem várias páginas com informações referentes a trens para Manchester, a rede traga ao usuário uma resposta real. Mas, claro, só se os dados estiverem disponíveis na web.

A rede ‘onipresente’ hnet09.jpg

Nós pensamos na rede como algo que acessamos por meio de um browser, usando um teclado.
Mas, de acordo com outra cientista da Universidade de Southampton, Wendy Hall, isto está prestes a mudar: “Vamos conseguir acessar a internet onde quer que estejamos, fazendo o que for, quase sem precisar de nenhum aparelho. Poderemos vê-la por nossos óculos, ou por meio de algum visor que passaríamos a usar”, por exemplo.
A cientista acredita que o browser vai desaparecer e que vamos interagir com a rede por meio de aplicativos, como muita gente já faz com os chamados smartphones.

Objetos nas nuvens

E não apenas as pessoas estarão online.
Mais e mais objetos - como carros, monitores cardíacos e sensores em nossas casas - estarão conectados à internet, contribuindo para um crescente fluxo de dados.
Onde serão armazenados todos esses dados? Na “nuvem”, claro, ou, em outras palavras, nos enormes bancos de dados sendo construídos pelos super poderes da web, como a Google e a Microsoft.
“Em certo sentido, a rede está se tornando um grande computador”, disse Andrew Herbert, à frente do laboratório da Microsoft em Cambridge.

A rede de celulares

Está claro que o futuro da rede está nos celulares – e para a maioria dos bilhões de pessoas que se juntarem a ela nos próximos anos, sua primeira experiência de acesso à web será por telefone celular.
Um dos grandes pensadores da indústria de celulares, Benoit Schillings, da empresa Myriad Software, afirma que isso vai nos tornar ainda mais dependentes da rede.
“Nós partimos do princípio de que é algo que temos conosco o tempo todo. Então quando você perde o seu telefone, se torna um desastre – é agora uma parte essencial de como seres humanos funcionam.”
Mas Schillings afirma que as limitações de uma rede de celulares, em comparação com os dados sendo baixados por uma linha fixa, significa que pesquisas em áreas como compressão de informação se tornam ainda mais vitais.

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Uma rede sustentável?

Então, como podemos garantir que esta rede inteligente, móvel e penetrante possa continuar crescendo sem engolir o planeta?
O pesquisador Andy Hopper, da Universidade de Cambridge, lidera um programa chamado Computação pelo Futuro do Planeta.
Ele está otimista com o que a rede pode fazer.
“É um marca-passo para o planeta, uma parte indispensável para a nossa civilização”, diz ele.
Mas ele agora está procurando meios para que tecnologias de computação possam ser usadas para controlar ou reduzir suas pegadas de carbono.
Um de seus alunos, por exemplo, está tentando criar um monitor pessoal de energia que use a nova “rede de objetos” para juntar todos os tipos de informação de sensores online que monitoram o uso de energia.
Mas, quanto mais a rede crescer, maiores serão as ameaças a sua estabilidade, ou não?
“A piada corrente entre a comunidade de engenheiros é que a internet está sempre à beira do colapso”, afirma Craig Labowitz da Arbor Networks, que monitora o desempenho da rede.
Ele é otimista e acredita que a rede vai continuar “se consertando”, mas afirma que, cada vez mais, isso vai depender das grandes corporações que agora controlam o tráfego.
Nos últimos três anos, afirma Labowitz, a participação da Google no tráfego global da internet aumentou de 1% para 10%.

Quem controla?

O que nos traz à questão crucial: quem controla o futuro da rede? Até agora ela vem crescendo de acordo com os princípios de abertura e parâmetros acertados mutuamente – mas alguns temem o surgimento de uma rede corporativa onde a inovação e a liberdade de expressão serão prejudicados.
“Não há garantias de que ela continuará evoluindo da maneira como é hoje – aberta, gratuita e com parâmetros universais”, afirma Wendy Hall.
“Se você perder isso, ou se os parâmetros forem superados por preocupações corporativas, então a rede vai mudar dramaticamente”, conclui.

O futuro da internet já começou

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A chamada Web 2.0 faz parte do cotidiano. Milhões de pessoas ocupam parte de seu tempo escrevendo textos para a Wikipedia ou resenhas de livros no site da Amazon, avaliando artigos comprados no Ebay, publicando fotos no portal Flickr e se apresentando em seus próprios facebooks.
Independentemente do lugar em que se encontram no globo, todas elas trabalham num único produto. "A internet virou plataforma", diz Tim O'Reilly, editor de livros sobre a rede mundial de computadores e um dos inventores da Web 2.0. Segundo ele, há apenas um grande computador. "Todos os pequenos [computadores] apenas garantem o acesso ao cérebro eletrônico global que nós criamos", acrescenta.
Esse cérebro aprende sempre mais e em ritmo cada vez mais acelerado. Já hoje empresas usam dados que encontram gratuitamente na rede para procurar e contatar clientes. Jeff Hammerbacher, do site facebook.com, garante que os dados dos usuários não são vendidos, mas que se discute com anunciantes que tipo de análises são possíveis a partir dos detalhes da vida privada revelados nas páginas do Facebook.
Também o Yahoo e o Google dizem que protegem os dados de seus usuários, mas, em caso de dúvida, argumentam que respeitam a legislação do respectivo país e cooperam com as autoridades policiais.

Coleta de dados sem limites?

De fato, não há mais limites para a coleta e o cruzamento de dados, explica Andreas Weigend, professor visitante da Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), e ex-chefe da equipe de desenvolvimento do site Amazon. "Se os sinais de GPS dos celulares fossem acessíveis a todos, meus alunos poderiam ver que chegarei com pelo menos 15 minutos de atraso à palestra porque meu celular – e eu – ainda nos encontramos a dez quilômetros da universidade", exemplifica. E se a polícia descobrisse que ele só poderia ter chegado a tempo à sala de aula desrespeitando o limite de velocidade, então a multa viria em seguida, acrescenta.
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O'Reilly acredita que, em breve, um software poderá tomar decisões que, hoje, só um ser humano é capaz de tomar, por exemplo quando se trata de relações sociais. Até agora, plataformas para comunidades virtuais ainda não conseguem dizer nada sobre a verdadeira relação social entre duas pessoas. Elas têm confiança mútua? Se encontrar pessoalmente é bem diferente de apenas se corresponder por e-mails. Caso o software possa fazer essa avaliação, ele também poderá decidir se repassa um número de telefone a terceiros quando solicitado.

Coleta coletiva de dados

Com o avanço da tecnologia modificam-se também as normas da sociedade. O que há cinco anos ninguém escreveria num cartão-postal, por temor de que pudesse ser lido por todos, hoje é disponibilizado em blogs na internet. Sobretudo os jovens não têm qualquer receio em fazer isso. Eles estão dispostos a prestar a sua contribuição aos ganhos que a coleta coletiva de dados traz para eles.
Há consenso entre os pesquisadores da web de que o computador cada vez mais passará para segundo plano. Segundo Andreas Weigend, diariamente são vendidos na China um milhão de telefones celulares. Os trabalhadores do campo não têm computadores, mas celulares. "E o governo lhes envia, através do celular, informações sobre prevenção de doenças, por exemplo."

"Seremos surpreendidos"

Em breve, haverá outros equipamentos com os quais os usuários poderão acessar informações. Rádios inteligentes ou outros equipamentos, acessíveis também aos pobres. Também eles vão ganhar com a coleta global de informações, assim como as empresas no Vale do Silício, na Califórnia. O local se recuperou do crash de 2001. O número de novas empresas na região voltou a crescer, mas os empreendedores se tornaram mais cautelosos.

A tendência é que continue ocorrendo uma concentração no mercado da internet. Os grandes já estão engolindo os pequenos – o Google, por exemplo, abocanhou o You Tube; o Yahoo, o Flickr. Mas também isso, segundo O'Reilly, é normal em se tratando de uma nova tecnologia. Quanto mais participantes uma rede tem, tanto maior é seu valor. É certo que não há caminho de volta. Mas é difícil fazer previsões sobre qual avanço ocorrerá em que velocidade. "Eu acredito que podemos esperar que seremos surpreendidos", resume O'Reilly.